quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

BUTECOS... O DIVÃ DO CARIOCA


O céu pode estar de "brigadeiro" o dia é convidativo á uma praia ou passeio, mas ele chama num canto de sereia irresistível. O chão é sujo, o tira gosto provavelmente está há muito tempo no balcão o sujeito que atende tem aparência deplorável, flâmulas de times inesquecíveis do passado, um pôster antigo da mulata 88, o indefectível ovo com anilina amarela, o "prato feito" com a dose cavalar de gordura. Com tudo isso, que seria predicativos suficientes para procurarmos um bar ou um restaurante, só nos encoraja. Ah... E o principal: A cerveja. Sim, ela estupidamente gelada... E mesmo assim insistimos em entrar... Afinal quem resiste a não tomar "umas e outras" num boteco?

O Velho botequim ou mais carinhosamente chamado de "pé sujo" e a essência da alma carioca. E o velho ritual que se reserva na disputa do hábito do cidadão comum da cidade de São Sebastião. Praia, futebol, mulher... Tudo isso tem o seu palco, tudo isso tem o seu plenário: O "Pé sujo". Ali entre uma fatia de uma moela gordurosa, sorvida em goles de cerveja gelada, você discute a situação política da cidade, do país, do seu time, da gostosa da esquina e da novela que passa na televisão.

Do gole da "branquinha" para o santo, do chinelo de dedo, do seu cigarro preferido ou o varejão que te salva em momentos de excitação, ao café depois do "santo" almoço. O jogo de dominó ao jogo de porrinha... E em ambientes mais "privilegiados" a velha sinuca empenada, chegando a suequinha sagrada do final de tarde. Aonde a televisão não tem vez.

Esses verdadeiros templos da carioquice desvairada se seguram mesmo com a especulação imobiliária que devasta a cidade nos últimos anos. A cada esquina principalmente no subúrbio da cidade você encontra o seu "pé sujo" do coração. Eles resistem apenas pelo amor dos seus freqüentadores. Aquele que mesmo no final de semana não tendo absolutamente nada para fazer vai entrar no buteco pra colocar o papo em dia e beber a "loira gelada" ou apenas olhar o movimento da rua.
Postar um comentário